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Futuro das bets está nas mãos de Fux: STF ouviu o governo sobre o endividamento das famílias

Resposta rápidaO STF realizou em 3 de novembro de 2026 uma audiência pública sobre os impactos das apostas de quota fixa, as bets. O ministro da Justiça citou endividamento das famílias, danos à saúde e 10,9 milhões de brasileiros que apostam de forma arriscada. O julgamento das ações cabe ao tribunal.
Neste artigoO que foi discutidoO que o governo apontouO que isso significa para o consumidorContextoPerguntas frequentesFontes

O Supremo Tribunal Federal realizou na terça-feira, 3 de novembro de 2026, uma audiência pública sobre os impactos das apostas de quota fixa, as chamadas bets. O foco foi o efeito dessas plataformas sobre o orçamento das famílias e sobre a saúde.

Quem fez a exposição principal foi o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva. Participaram também o secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, e o secretário nacional do Consumidor, Ricardo Morishita.

O que foi discutido

A audiência foi convocada pelo ministro Luiz Fux, relator da ADI 8027. A ação foi proposta pela Associação Nacional de Jogos e Loterias e questiona a Medida Provisória 1.394/2026, que proibiu as bets. Ela também pede que a Lei 14.790/2023, a Lei das Bets, seja reconhecida como válida.

A mesma lei é questionada em outras três ações: as ADIs 8024, 8028 e 8035.

Segundo o Ministério da Justiça, o ministro afirmou que o governo ouviu vários setores e adotou as medidas aos poucos. Disse ainda que os problemas sociais pesaram mais que as preocupações com segurança jurídica e com o setor econômico.

O que o governo apontou

O ministro ligou a medida mais severa ao endividamento das famílias e aos casos de suicídio. Falou também em danos à saúde pública e à segurança, e apontou uma proximidade preocupante entre parte das apostas, o crime organizado e a lavagem de dinheiro.

Houve crítica ao desenho das plataformas. Para ele, recursos como o autoplay, os bônus e os obstáculos para sacar exploram vieses cognitivos e criam uma "arquitetura da dependência".

Ele também citou dados da Unifesp: 10,9 milhões de brasileiros apostam de forma arriscada, e 1,4 milhão têm sintomas de transtorno do jogo.

O que isso significa para o consumidor

Por ora, nada muda por causa da audiência. Ela reúne informação para o relator e para o plenário, que ainda vão analisar as ações. O que vale na prática depende da decisão do tribunal sobre a medida provisória.

Em outubro, a Advocacia-Geral da União pediu ao Supremo que mantivesse a medida. Entidades do setor pediram a suspensão, com argumentos como insegurança jurídica e dúvidas sobre urgência e relevância.

Quem tem problema com uma plataforma, como cobrança indevida, saque bloqueado ou conta suspensa sem explicação, deve guardar comprovantes, prints e conversas com o atendimento. A reclamação pode ser registrada no Procon e no Consumidor.gov.br, que só recebe queixas contra empresas cadastradas e exige conta gov.br. Quem sente que perdeu o controle sobre o jogo pode procurar uma unidade de saúde ou um CAPS, além de usar as ferramentas de autoexclusão que as plataformas oferecem.

Contexto

Esta é a segunda audiência pública do STF sobre o tema. Segundo o Ministério da Justiça, a primeira ocorreu em novembro de 2024, com mais de 50 participantes, e tratou da Lei 14.790/2023.

Perguntas frequentes

A audiência pública do STF já decidiu se as bets continuam proibidas?

Não. A audiência serve para ouvir especialistas e representantes dos setores envolvidos. A decisão sobre as ações cabe ao relator, ministro Luiz Fux, e ao tribunal.

Qual ação foi o motivo da audiência?

A ADI 8027, proposta pela Associação Nacional de Jogos e Loterias, que questiona a Medida Provisória 1.394/2026 e pede que a Lei 14.790/2023 seja considerada válida. A mesma lei é discutida em outras três ações.

O que o governo apontou como problema?

O ministro da Justiça falou em danos à saúde pública, endividamento das famílias e proximidade de parte das apostas com o crime organizado e a lavagem de dinheiro.

Quantas pessoas apostam de forma arriscada?

O ministro citou dados da Unifesp: 10,9 milhões de brasileiros apostam de forma arriscada, e 1,4 milhão apresentam sintomas de transtorno do jogo.

O que fazer se uma plataforma de apostas não devolver ou cobrar indevidamente?

O consumidor pode registrar reclamação no Consumidor.gov.br e no Procon, guardando prints, comprovantes de depósito e conversas com o atendimento.

Fontes

Revisão jurídica: Matheus Lorenzen do Amaral, advogado (OAB/RS 90.061 e OAB/SC 74.552), Araranguá/SC.
Atualizado em 3 de novembro de 2026. Conteúdo informativo, sem consultoria individual e sem oferta de serviços.

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